Última Hora

Árbitra sergipana é punida pelo STJD por informações falsas

Por: Romulo Oliveira - March 10, 2016

Árbitra sergipana é punida pelo STJD (Crédito: Jornal do Dia SE)

Por: Rômulo Oliveira / Redação Futebol Sergipano

A árbitra sergipana Vaneide Vieira de Góis foi punida na sexta-feira, 31 de maio, com suspensão de 540 dias e multa de R$ 1 mil pela quinta comissão disciplinar do STJD futebol (Superior Tribunal de Justiça Desportiva).

Segundo o procurador do STJD, Thiago Queiroz, Vaneide foi suspensa por falsificar informações com o intuito de enganar, por diversas vezes, a entidade desportiva no cadastro da Comissão de Arbitragem da CBF.

No mesmo processo o presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Sergipana de Futebol (FSF), Edmo Oliveira dos Santos, foi advertido por conduta contrária à disciplina pela falta de atenção nas informações da árbitra. A decisão cabe recurso.

Entenda

Um e-mail enviado no inicio de abril à corregedoria de arbitragem da CBF (enviado também ao site Apito Nacional) deu inicio as investigações que foram parar no tribunal. O documento trazia denúncias contra a árbitra Vaneide Góis, que teria supostamente trocado o ano de nascimento, e contra o presidente da Comissão de Arbitragem da FSF, Edmo Oliveira, que teria conhecimento e participação na adulteração das informações. Ainda segundo a denúncia, a manobra da dupla teria o intuito de reduzir a idade da assistente visando possível indicação ao quadro FIFA, pois a mesma participou em 2015, 2016 e 2017 do Curso RAP FIFA realizado no Eco Resort Oscar Inn, na cidade de Águas de Lindóia-SP. Outra possibilidade para adulteração nas informações seria para permanecer por mais tempo no quadro da CBF burlando as normas da arbitragem da entidade.

(Crédito: Apito Nacional)

O julgamento

Segundo os autos do julgamento no STJD, a arbitragem da CBF identificou que, nos anos de 2016 a 2019, Vaneide teria preenchido e assinado os formulários enviados para a entidade com o ano de nascimento de 1980, quando a mesma é nascida em 1978. Outros formulários preenchidos pela árbitra no sistema da CBF dão conta do ano 1982 – e onde deveria constar a idade de 40 anos, a mesma teria inserido 36.

O Procurador Thiago Queiroz classificou o caso como falsificação e um dos mais sérios vistos na Justiça Desportiva.

“Como foi relatado, houve uma clara falsificação com o intuito de enganar a entidade desportiva. O documento da denunciada é verdadeiro. Ela não faz nenhuma ressalva, não combate o ano que teria nascido e a explicação não é minimamente razoável. Acreditar que a pessoa errou o ano de nascimento é difícil, mas errar por quatro vezes e em anos distintos. Ela diminuiu a idade ano após ano para continuar atuando. O presidente da Comissão de Arbitragem de Sergipe não teve o mínimo de cuidado e responsabilidade com os documentos e com a conferência”, defendeu a Procuradoria.

O auditor Flávio Boson, responsável pelo processo, votou por uma pena de 360 dias- metade entre a pena mínima e a máxima – e aplicar multa de R$ 1 mil.

O auditor Eduardo Mello divergiu, disse que o caso é grave, equivalente ao ‘gato’ no futebol, e aplicou pena de 540 dias pela gravidade do caso. “Acho a situação gravíssima. É o equivalente ao gato, jogador que muda a idade para jogar uma categoria abaixo. Divirjo da penalidade e aplico 540 dias pela gravidade”, disse Mello.

Já o auditor Sormane Freitas acompanhou a divergência. “Salta aos olhos ter que julgar um caso como esse. O que mais causa espécie e ter sido reiterado. Não errou no passaporte e outros documentos. Concordo com a pena divergente de 540 dias e multa de R$ 1 mil”, frisou o auditor.

O auditor Otacílio Araújo, presidente em exercício da Comissão, também votou com a divergência e acrescentou: “Também acho muito grave. Se fosse só um erro, mas foram outras vezes. Errou três anos direto. Ela escreveu. Alguma coisa tem aí. Lamentável. Acompanho a divergência nos 540 dias de suspensão. Daria até o máximo”, disse o presidente.

Segundo os autos do julgamento, por e-mail, Vaneide confirmou que nasceu em 1978 e que deveria ter colocado equivocadamente 1980. A árbitra enviou ainda ofício à Corregedoria de Arbitragem da CBF afirmando ter nascido em 1978.

Já o Presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Sergipana disse que há a verificação de documentos.

O que eles disseram

Procurada pela reportagem do GloboEsporte.com, Vaneide Vieira de Gois informou que, no momento, não vai se pronunciar sobre o assunto. Antes disso, iria se comunicar com o advogado dela. Edmo Oliveira alegou que a árbitra foi vítima de uma armação bem planejada, e que irá recorrer e provar a inocência dela.

O site Apito Nacional entrou em contato com a presidência da ANAF, pois segundo as informações, a árbitra estaria inadimplente com suas contribuições sindicais, o que inviabilizaria a defesa da mesma e o valor que deve ser gasto com o recurso. Segundo o presidente dos árbitros, a assistente realmente não está em dia com suas contribuições, mas, como decidido em assembleia, a entidade é obrigada a defender o árbitro em qualquer situação. Sobre a denuncia, ele disse que não teve acesso aos autos, mas indaga porque só agora esse assunto veio a tona e cobra a corregedoria de arbitragem da CBF por não ter tomado as devidas providências. Por último, o dirigente defendeu a árbitra discordando do tamanho da punição aplicada a mesma.

O site Apito Nacional entrou em contato também com Milton Dantas, presidente da FSF, mas até o fechamento da matéria o mesmo não tinha retornado.

Nota do Apitonacional

Desde que recebeu o email com as denuncias, o Apitonacional fez diversas checagens para comprovar os fatos. No curso das averiguações constatou que Vaneide Góis nasceu em 07/09/1978, como consta no RG 1.xxx.559, em Gararu-SE, filha de Valdo Aragão Nascimento e Maria Vieira de Góis. É solteira, mora no bairro Soledade e é professora no Colégio Graccho em Aracaju.

Apuramos também que pelo menos duas fichas de inscrição na CBF foram preenchidas com ano de nascimento diferentes da original, sendo 07/09/1980 (2017), 07/09/1982 (2019).

Em uma reportagem do site oficial da FSF, publicada em abril deste ano, a idade da assistente é informada como 38 anos (veja abaixo).

Conversamos com diversas pessoas ligadas a arbitragem sergipana. Para todos o corrido não é novidade e muitos estranham porque demorou tanto para esta informação vir a publico. Um deles, que vamos preservar a identidade por motivos óbvios, informou que a assistente e o presidente da comissão teriam forte ligação e que a mesma seria uma espécie de primeira dama da arbitragem local chegando inclusive a, supostamente, fazer escalas de arbitragens nas competições da FSF.

Fonte: Sites Apito Nacional e Globoesporte SE

Outras Categorias:
Romulo Oliveira
Radialista e jornalista Barroso Guimarães começou no rádio esportivo em 1986, na Liberdade AM, na equipe esportiva de Carlos Magalhães.